segunda-feira, 24 de maio de 2010
Hannah - primeiro episódio
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Rewind

- A nós, a quem gosta de nós e o resto que se ….
terça-feira, 9 de março de 2010
Caixa de fósforos

Pensa na caixa de fósforos. Ele desaparecera na mesma. Sente falta do calor. A semana que se avizinha, reserva-lhe turnos extenuantes. Tenta abstrair, embrenhando-se na leitura de um livro que seja. A sua agitação interior e permanente, acaba por arruinar o seu ensejo: aquele é o seu calmo lugar, a sua concha, a sua almofada, o seu incenso, o seu xanax.
Katie Melua escolta os seus pensamentos. A música joga a figura parental na sua vida. Apoio no luto e na alegria. Ultimamente, tem-se apaixonado cada vez mais por jazz. Mas de tudo escuta um pouco.
Espreita pela janela: as nuvens afastam-se num burburinho pouco ritmado. Abrem-se brechas e os raios espreitam constrangidos e com receio da chuva, senhora e rainha da época. Wet, wet, wet…
Sai de casa e enterra os pés na areia, curiosamente, já seca. Desenha o contorno do pé direito e rodopia pelas dunas, sentindo o vento e a brisa do mar baterem-lhe na face. Respira profundamente e sente o seu coração a ganhar vida.
Perscruta o horizonte, ao longe a esplanada. O sol aconchega as cadeiras e as mesas. Vai no seu encalço e já esplendorosamente sentada, pede um alto douro com um travo de limão.
A caixa de fósforos não lhe abandona o entendimento. Acena na direcção das amigas que acabam de aparecer no seu campo de visão. As gajas! Ri-se. Seres únicos que, tal com dissera Cícero, não existem para serem compreendidas, mas antes para serem amadas. Muitos Deles não sabem disso, obviamente. Elas sabem, certamente. Se necessário, até brincam com o facto.
Maria sabe, com toda a certeza, mesmo tendo sofrido no passado. Tivesse sido aberta a caixa de fósforos três anos antes e tudo seria hoje bem mais claro! Ele desapareceria, na mesma, sim. Mas desta vez, Para Todo O Sempre.
domingo, 18 de outubro de 2009
Cadáveres

quinta-feira, 2 de julho de 2009
Travesti ou transexual?

I think I am becoming a man. Seriously, I have been wondering if I deeply have a man stocked in my body. Lately, I have been asked several times, by some female friends, about some man reactions, talks and acts, whatever. Honestly? I sadly don’t answer like them expected to. Maybe it’s because I turned to cold, after having many bad experiences. The last time I showed some glimpse of female fragility, I took a pair of skates. Or maybe because I don’t let myself being, what I am used to be, to not be hurt again. Who knows? I want to recover my female body, but it’s turning a full-time job.
domingo, 28 de junho de 2009
Penélope

Penélope sonhava com o circo desde criança. Tinha assistido várias vezes, enquanto criança, aos espectáculos que por altura do Natal apareciam na sua terra. Eram uma alegria! Seu pai costumava brincar, nessas ocasiões, sobre o grande acontecimento. Dizia que não podia estar constipada, senão não ia ao circo.
- Se espirras, não vais ao circo! – Dizia.
De todo o espectáculo, o seu número preferido era o dos malabaristas. Ao contrário das outras crianças, cujo número preferido era o dos palhaços, detestava aqueles narizes vermelhos e aquelas vestes de várias cores: os seus sorrisos assustavam-na e o seu aspecto lembrava-lhe seres maquiavélicos.
Também não apreciava os números que incluíam animais, pois achava uma crueldade atroz submetê-los a um espaço confinado e a demonstrações de “habilidades” ensaiadas, à custa de engodos e suborno alimentar.
À noite, após o regresso a casa e já na sua cama, fantasiava com o circo. Imaginava-se com asas negras a segurarem estranhamente a sua pseudo saia, collants às riscas e sandálias altas que destacavam a sua silhueta. Uma cartola repousava no alto da sua cabeça e conferia-lhe o título de fada do rock. A sua voz anunciava a presença de contorcionistas e emanava o mistério da penumbra que envolvia o espaço.
Mais tarde, acabou por apreender o misticismo que a atraía ao circo. Tudo era ilusão. Uma paragem no tempo e no espaço que, ao crescer, foi desaparecendo e revelou-se uma reminiscência mágica. Porém, ainda prevalecia no seu íntimo o desejo de fada e, através da sua música, contava histórias intermináveis sobre lugares ilusórios e irreais.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Violin solo

Pieces of my soul

Encontro-me num local estranhamente íntimo
e, no entanto, desconhecido.
Sinto-me observada,
ao mesmo tempo que confortada e protegida.
Encolho-me.
Espero e aguardo pelo silêncio que se entranha no meu âmago.
Questiono-me por onde andarás agora.
Perscruto o lago: reflectem-se imagens de ti.
Brumas e árvores alinhadas numa fila interminável.
Só.
Sinto-me leve, mas curiosa. Não tenho calma.
Anseio a descoberta do que foste, não mais o que és.
Debruço-me sobre mim.
Escuto e ouço o estrondear de uma arma algures.
Nada mexe, porém. Nem eu.
Já não há sobressalto.
Desapareceu no mesmo momento em que fugiste.
Estico-me e abraço o espaço.
Estou aqui, agora.
Nada mais prevalece, a não ser o espelho das lembranças.
Rodopiam e ondulam sob o lago.
Já nem mergulho no seu encalço.
Algo estremece e os meus cabelos agitam-se.
Acaricio-os e sorrio.
Estou pronta para levantar-me e caminhar de novo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Vamos pensar na personagem: real ou fictícia?
Indumentária vermelha, a condizer com a sua avidez por sangue, bem como pelo que se encontra nas suas entranhas: desejo efervescente, reflexo de uma alma em chamas.
Uma devoradora inata, sem piedade pelos fracos e sem nenhum receio pela própria vida. Determinada e destemida, confronta-se com o incerto e desconhecido ao percorrer as ruas à noite, contornando os muros do cemitério e repousando o corpo nas lajes de uma campa qualquer.
Alvo? Um ser humano aleatório, se bem que os do sexo masculino lhe agucem o paladar. O travo a estupidez e mentira é tão forte que a satisfazem na plenitude! O odor também é penetrante, pestilento e infiltra-se no seu âmago, mas agrada-lhe e inspira profundamente a cada bafejo que lhe chega ao nariz.
Ao mesmo tempo, almeja secretamente encarnar o papel de vigilante, qual polícia de segurança pública, protegendo a população em geral. Ah, ah! Contudo, algo a impede. Esforça-se por romper com a sua natureza cruel e desumana, mas é mais forte do que ela.
O tempo e o espaço diluem-se para ela e caminha em passo acelerado. Corre desmesuradamente para não pensar muito e com receio de vacilar. Não pode e não quer ir contra o seu ser. Seria o mesmo que trair toda a sua ascendência.