quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
J'aime cet homme brutalement!
domingo, 4 de setembro de 2011
«Nunca Me Tinha Apaixonado Verdadeiramente»
Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras.
José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'
quinta-feira, 10 de março de 2011
Nem de propósito...
Meditação Sobre os Poderes
Rubricavam os decretos, as folhas tristes
sobre a mesa dos seus poderes efémeros.
Queriam ser reis, czares, tantas coisas,
e rodeavam-se de pequenos corvos,
palradores e reverentes, dos que repetem:
és grande, ninguém te iguala, ninguém.
Repartiam entre si os tesouros e as dádivas,
murmurando forjadas confidências,
não amando ninguém, nada respeitando.
Encantavam-se com o eco liquefeito
das suas vozes comandando, decretando.
Banqueteavam-se com a pequenez
de tudo quanto julgavam ser grande,
com os quadros, com o fulgor novo-rico
das vénias e dos protocolos. Vinha a morte
e mostrava-lhes como tudo é fugaz
quando, humanamente, se está de passagem,
corpo em trânsito para lado nenhum.
Acabaram sempre a chorar sobre a miséria
dos seus títulos afundados na terra lamacenta.
José Jorge Letria, in "Quem com Ferro Ama"
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Advertência a «Folhas Caídas»
domingo, 19 de dezembro de 2010
Simples(mente)Mulher
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
domingo, 5 de setembro de 2010
António Lobo Antunes fez 68 anos esta quarta-feira, dia 1 de Setembro.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Tribo

À minha mãe, tias, primas, amigas, conhecidas
- numa palavra, a todas as mulheres,
Feiticeiras lutadoras,
No tempo passado e no tempo presente,
Que recusaram soçobrar no limite das suas forças.
E de ventres fecundos,
Entraram na floresta e popularam a tribo.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
SE TU VIESSES VER-ME...

my lovely CHARNECA EM FLOR
1931domingo, 19 de julho de 2009
Very special FRIENDS



quarta-feira, 24 de junho de 2009
Dead Poet's Society
Horácio, às voltas na tumba...

Numa das minhas últimas idas à praia, findo o dia, sentei-me numa esplanada com uma amiga e gozava, na sua plenitude, o entardecer. Olhos fechados, sabor a café nos lábios, inspirando aquele ar magnífico e expelindo o fumo do meu cigarro. Como tínhamos um jantar apalavrado, passado um pouco, lembrei-lhe que era altura de abandonar o paraíso e esticar as pernas. A caminho do carro, contou-me que estivera a escutar a conversa de dois amigos, sentados perto de nós e que não se coibiram de falar em voz alta. Dilema dos amigos: um tinha um grupo de amigos, quase todos solteiros, o outro tinha mais amigos casados. E? Não, não era um dilema, mas sim um drama! Questionavam-se sobre as diferenças. Bom, no fundo era só uma: residia no facto de, o que tinha os amigos casados, não saber onde encontrar “diversão rápida”. De referir que o outro, imediatamente, o colocou a par do (s) sítio (s). Explicou ainda que os seus amigos casados, hoje em dia, combinam saídas à noite só de homens e com um único objectivo: «carpe diem». Aqui, pardon my language, saltou-me a tampa! Já há algum tempo que ouço, cada vez mais, homens a proferir esta expressão com o mesmo sentido. Lá porque pode ser traduzida de Horácio como “colha o dia” ou “aproveite o momento”, não é desculpa para ser utilizada como sinónimo de quê? Usar e deitar fora? Trair, enganar, gozar ou fun? Não é esse o significado para mim e espero, para muitas outras pessoas como eu. Justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro, ok. Eu comungo mais da ideia do “captain, oh, my captain!”: «Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.»
For me, is just more and more…. E, eu, strongly seize the day!
sábado, 20 de junho de 2009
...bom demais
O que ando a ler
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O Eu profundo e os outros Eus

Quadras ao Gosto Popular
Nunca dizes se gostaste/Daquilo que te calei./Sei bem que o adivinhaste./O que pensaste não sei.
Puseste um vaso à janela./Foi sinal ou não foi nada,/Ou foi p'ra que pense em ti/Que te não importas nada?
Lá por olhar para ti/Não julgues que é por gostar./Eu gosto muito do sol,/E nem o posso fitar.
Quando me deste os bons dias/Deste-mos como a qualquer./Mais vale não dizer nada/Do que assim nada dizer.
Onda que vens e que vais/Mar que vais e depois vens,/Já não sei se tu me atrais,/E, se me, atrais, se me tens.
Teus olhos querem dizer/Aquilo que se não diz.../Tenho muito que fazer./Que sejas muito feliz.
Meu querido F. Pessoa
Foto: Amoureux/ Chagall
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Na Floresta do Alheamento

E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente
a morrê-la que não reparamos que éramos um só, que cada
um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o
mero eco do seu próprio ser. . .
Zumbe uma mosca, incerta e mínima. . .
Raiam na minha atenção vagos ruídos, nítidos e dispersos, que
enchem de ser já dia a minha consciência do nosso quarto...
Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? Não sei.
Tudo se funde e só fica, fingindo, uma realidade-bruma em que
a minha incerteza soçobra e o meu compreender-me, embalado
de ópios, adormece. . .
A manhã rompeu, como uma queda, do cimo pálido da Hora.
. . Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida,
as achas dos nossos sonhos.. .
Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque
cansa, da vida, porque farta, e não sacia, e até da morte, porque
traz mais do que se quer e menos do que se espera.
Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque
se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.
Não choremos, não odiemos, não desejemos. . .
Cubramos, ó silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil
hirto da nossa Imperfeição. . .
F. P.
O Eu profundo e os outros Eus
quarta-feira, 15 de abril de 2009
A Mensageira das Violetas
CEGUEIRA BENDITA
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago...
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho...
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!...
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
ANTI-RODRIGUISMO ou A NOVA POESIA PORTUGUESA
Bate leve, levemente,
Bocage - Retrato da Sinistra
Baixa, de olhos ruins, amarelenta,
Arzinho confrangido que atormenta,
Rosto fechado, o gesto de fuinha,
Se não sabes quem é, dou-te uma pista:
Alma mesquinha e vil, tu que pariste
Se lá nesse poleiro aonde subiste
Se pensas que esta gente está domada,
Em breve encontraremos a maneira
sábado, 28 de março de 2009
Books VII






