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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Na Floresta do Alheamento
























Na sequência da leitura de um post colocado no http://prisaodepalavras.blogspot.com, vieram-me à memória deliciosas palavras desse homem fabuloso, que sempre conseguiu, consegue e conseguirá preencher a minha alma: Fernando Pessoa.

E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente

a morrê-la que não reparamos que éramos um só, que cada

um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o

mero eco do seu próprio ser. . .

Zumbe uma mosca, incerta e mínima. . .

Raiam na minha atenção vagos ruídos, nítidos e dispersos, que

enchem de ser já dia a minha consciência do nosso quarto...

Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? Não sei.

Tudo se funde e só fica, fingindo, uma realidade-bruma em que

a minha incerteza soçobra e o meu compreender-me, embalado

de ópios, adormece. . .

A manhã rompeu, como uma queda, do cimo pálido da Hora.

. . Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida,

as achas dos nossos sonhos.. .

Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque

cansa, da vida, porque farta, e não sacia, e até da morte, porque

traz mais do que se quer e menos do que se espera.

Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque

se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.

Não choremos, não odiemos, não desejemos. . .

Cubramos, ó silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil

hirto da nossa Imperfeição. . .

F. P.

O Eu profundo e os outros Eus

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