
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Lost in translation
Dou por mim a pensar que a tradução de uma língua para outra não é mais difícil do que a nossa própria. Quantos erros já cometi ao «traduzir» algo que me disseram na minha própria língua? Imensos. Tantos ou mais do que para o francês ou o inglês. Displicentemente, todos achamos graça e empregamos a expressão: «a língua portuguesa é traiçoeira.». Mas é um facto. É mesmo, mesmo. Outros, nas suas línguas maternas, queixar-se-ão do MESMO. Pondero seriamente a possibilidade de ser algo inerente à raça humana. Pensamos com o coração e não com a razão, na maior parte das vezes. Partilho da ideia de Unamuno quando este proferiu que o homem «é um animal afectivo ou sentimental» (in 'Do Sentimento Trágico da Vida’ ). Efectivamente, o que nós temos de racional? Muito pouco. No fim, nada importa a não ser o que sentimos, por mais irracional que o seja.
Tribo

À minha mãe, tias, primas, amigas, conhecidas
- numa palavra, a todas as mulheres,
Feiticeiras lutadoras,
No tempo passado e no tempo presente,
Que recusaram soçobrar no limite das suas forças.
E de ventres fecundos,
Entraram na floresta e popularam a tribo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Rewind

- A nós, a quem gosta de nós e o resto que se ….
segunda-feira, 10 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
[...]Em Portugal, o Dia das Mães é celebrado no primeiro domingo de Maio."
(Fonte: Wikipédia)

Mãe
No mais fundo de ti.
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha, queres ouvir-me?:
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos..
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura..
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
Boa noite. Eu vou com as aves!
de, Eugénio de Andrade in "Os Amantes Sem Dinheiro"
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Meet me Halfway

a ilusão foi-se.
Song To The Siren
On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.
And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."
Movies that make dissemblance
Cada um no seu género, não fossem dois realizadores muito sui generis : Lars von Trier e Michael Haneke. The AntiChrist e The White Ribbon, dois bons filmes para quem gosta de fugir aos filmes comerciais. Boa imagem, fotografia, argumento, boas actuações, música envolvente, traduz duas sessões bem apreciadas.
«New vision...»

Lying on the grass, feeling the sorrowndings, allowing to face the fear, trimbling of panic. On the top of the roof, hundred million little stones falling down, making my brain stun with the irregular noise, wondering if I was imagining things: the cry of a baby, the falling from a tree, pictures that make no sense at all, writing down notes, over and over again. Spreading my madness to my loved ones. Wanting/waiting to kill/love them. Biting my neck and swallowing my blood.

terça-feira, 16 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Caixa de fósforos

Pensa na caixa de fósforos. Ele desaparecera na mesma. Sente falta do calor. A semana que se avizinha, reserva-lhe turnos extenuantes. Tenta abstrair, embrenhando-se na leitura de um livro que seja. A sua agitação interior e permanente, acaba por arruinar o seu ensejo: aquele é o seu calmo lugar, a sua concha, a sua almofada, o seu incenso, o seu xanax.
Katie Melua escolta os seus pensamentos. A música joga a figura parental na sua vida. Apoio no luto e na alegria. Ultimamente, tem-se apaixonado cada vez mais por jazz. Mas de tudo escuta um pouco.
Espreita pela janela: as nuvens afastam-se num burburinho pouco ritmado. Abrem-se brechas e os raios espreitam constrangidos e com receio da chuva, senhora e rainha da época. Wet, wet, wet…
Sai de casa e enterra os pés na areia, curiosamente, já seca. Desenha o contorno do pé direito e rodopia pelas dunas, sentindo o vento e a brisa do mar baterem-lhe na face. Respira profundamente e sente o seu coração a ganhar vida.
Perscruta o horizonte, ao longe a esplanada. O sol aconchega as cadeiras e as mesas. Vai no seu encalço e já esplendorosamente sentada, pede um alto douro com um travo de limão.
A caixa de fósforos não lhe abandona o entendimento. Acena na direcção das amigas que acabam de aparecer no seu campo de visão. As gajas! Ri-se. Seres únicos que, tal com dissera Cícero, não existem para serem compreendidas, mas antes para serem amadas. Muitos Deles não sabem disso, obviamente. Elas sabem, certamente. Se necessário, até brincam com o facto.
Maria sabe, com toda a certeza, mesmo tendo sofrido no passado. Tivesse sido aberta a caixa de fósforos três anos antes e tudo seria hoje bem mais claro! Ele desapareceria, na mesma, sim. Mas desta vez, Para Todo O Sempre.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Girls will be girls...

«Ofereceram-me» esta música e adorei... para todas nós mulheres...
A Mulher Mais Bonita do Mundo
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
quarta-feira, 3 de março de 2010
Ariel

imagem: http://minhavidadecinefilo2.zip.net/arch2007-11-11_2007-11-17.html
Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances.
God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees!--The furrow
Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,
Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks----
Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else
Hauls me through air----
Thighs, hair;
Flakes from my heels.
White
Godiva, I unpeel----
Dead hands, dead stringencies.
And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry
Melts in the wall.
And I
Am the arrow,
The dew that flies,
Suicidal, at one with the drive
Into the red
Eye, the cauldron of morning.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Romeu e Julieta de Shakespeare

Imagem retirada:
Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno ? Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão. Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool. Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu, fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado. Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estria e celulite e histérica com muita coisa para fazer. Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha. Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado. Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu. Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo. Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela. Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança. Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta. Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu. Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando-a sem saber onde enfiar a cara de vergonha. Por estas e outras que eles morreram se amando.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
I got you under my skin...

Photo taken: Saratov area, Russia, May, 2004
'Ode to a Nightingale' John Keats
My heart aches, and a drowsy numbness pains
My sense, as though of hemlock I had drunk,
Or emptied some dull opiate to the drains
One minute past, and Lethe-wards had sunk:
'Tis not through envy of thy happy lot,
But being too happy in thine happiness, -
That thou, light-winged Dryad of the trees,
In some melodious plot
Of beechen green and shadows numberless,
Singest of summer in full-throated ease.
O, for a draught of vintage! that hath been
Cool'd a long age in the deep-delved earth,
Tasting of Flora and the country green,
Dance, and Provençal song, and sunburnt mirth!
O for a beaker full of the warm South,
Full of the true, the blushful Hippocrene,
With beaded bubbles winking at the brim,
And purple-stained mouth;
That I might drink, and leave the world unseen,
And with thee fade away into the forest dim:
Fade far away, dissolve, and quite forget
What thou among the leaves hast never known,
The weariness, the fever, and the fret
Here, where men sit and hear each other groan;
Where palsy shakes a few, sad, last gray hairs,
Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies;
Where but to think is to be full of sorrow
And leaden-eyed despairs,
Where Beauty cannot keep her lustrous eyes,
Or new Love pine at them beyond to-morrow.
Away! away! for I will fly to thee,
Not charioted by Bacchus and his pards,
But on the viewless wings of Poesy,
Though the dull brain perplexes and retards:
Already with thee! tender is the night,
And haply the Queen-Moon is on her throne,
Cluster'd around by all her starry Fays;
But here there is no light,
Save what from heaven is with the breezes blown
Through verdurous glooms and winding mossy ways.
I cannot see what flowers are at my feet,
Nor what soft incense hangs upon the boughs,
But, in embalmed darkness, guess each sweet
Wherewith the seasonable month endows
The grass, the thicket, and the fruit-tree wild;
White hawthorn, and the pastoral eglantine;
Fast fading violets cover'd up in leaves;
And mid-May's eldest child,
The coming musk-rose, full of dewy wine,
The murmurous haunt of flies on summer eves.
Darkling I listen; and, for many a time
I have been half in love with easeful Death,
Call'd him soft names in many a mused rhyme,
To take into the air my quiet breath;
Now more than ever seems it rich to die,
To cease upon the midnight with no pain,
While thou art pouring forth thy soul abroad
In such an ecstasy!
Still wouldst thou sing, and I have ears in vain -
To thy high requiem become a sod.
Thou wast not born for death, immortal Bird!
No hungry generations tread thee down;
The voice I hear this passing night was heard
In ancient days by emperor and clown:
Perhaps the self-same song that found a path
Through the sad heart of Ruth, when, sick for home,
She stood in tears amid the alien corn;
The same that oft-times hath
Charm'd magic casements, opening on the foam
Of perilous seas, in faery lands forlorn.
Forlorn! the very word is like a bell
To toll me back from thee to my sole self!
Adieu! the fancy cannot cheat so well
As she is fam'd to do, deceiving elf.
Adieu! adieu! thy plaintive anthem fades
Past the near meadows, over the still stream,
Up the hill-side; and now 'tis buried deep
In the next valley-glades:
Was it a vision, or a waking dream?
Fled is that music: - Do I wake or sleep?
Good question: do I wake or sleep?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Feeling Bad

Ragazza Mafiosi Johnny

«Viver sempre também cansa» M. Rosário António
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Confiança

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
WORLD HELP

Vazio. Actualmente, assistimos à denominada globalização. Já não somos uma aldeia, uma cidade, uma região, um país, um continente. Somos o globo, ou como gostam de apelidar: uma aldeia global. Vazio. Ideias, valores, crenças: onde andam? Por aí, em abundância, mas sem rumo, completamente desvirtuados, sem rei nem roque. Vazio. Decadência e caos.
Evolução. Ainda não foi esta catástrofe no Haiti, por mais horrenda que seja, que vai unir as pessoas, tal como não o fez aquando do último grande tsunami, ou outra calamidade afim. Reúne um grupo de pessoas, sim. Mas não a humanidade. Essa, sensibilizada no momento, facilmente esquece e avança, mesmo não sabendo o destino, isso não importa. O mote da moda é: «carpe diem». O ontem não existiu, o amanhã não interessa. Gozar é agora, o presente. Evolução. Mais vale parecer, do que ser.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
New Year’s Reflections
As a new year starts and an old one ends,
We contemplate what brought us joy,
And we think of our loved ones and our friends.
Recalling all the happy times,
Remembering how they enriched our lives,
We reflect upon who really counts,
As the fresh and bright new year arrives.
And when I/we ponder those who do,
I immediately think of you.
Thanks for being one of the reasons I'll have a Happy New Year!
"By Joanna Fuchs"
Thank you C. L.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Moon Willow

so far, that I can be free,
away from my mistakes,
away from my nature,
getting near to the mountain
where I’ll start my climb,
trying to reach the sky…
hoping I won’t be burned,
but instead, touching lightly the rainbow…
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
2009....

«On leaving some Friends at an Early Hour»

Fotografia: Utopia Antípoda Marcos Sobral
GIVE me a golden pen, and let me lean
On heap’d up flowers, in regions clear, and far;
Bring me a tablet whiter than a star,
Or hand of hymning angel, when ’tis seen
The silver strings of heavenly harp atween:
And let there glide by many a pearly car,
Pink robes, and wavy hair, and diamond jar,
And half discovered wings, and glances keen.
The while let music wander round my ears,
And as it reaches each delicious ending,
Let me write down a line of glorious tone,
And full of many wonders of the spheres:
For what a height my spirit is contending!
’Tis not content so soon to be alone.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Take me to another time ...

O Natal não é uma data... É um estado de espírito. (Mary Ellen Chase)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Tóg dom
An féidir leat bhfianaise mo bhealach?
Doc.1_José Ferreira fotojornalismo
O barqueiro da Luz_Marciano
domingo, 13 de dezembro de 2009
Under the bridge
«Numa manhã do mês de Março» J.P.M.quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Woman in red






















