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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

J'aime cet homme brutalement!

Os professores, por José Luís Peixoto
Artigo | 15 Outubro, 2011 - 00:17
O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objetos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos atualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efetiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O ato que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções. 
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.
Artigo de José Luís Peixoto, publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oliver Twist


Oliver Twist is unfortunate enough to have his mother expire while giving birth to him in a workhouse towards the middle of the nineteenth century. A ward of the Parish orphanage, he is transferred back to the workhouse when he is almost ten years old. After casting lots with the rest of the starving boys, Oliver is chosen to ask for more gruel. Desperate from hunger and reckless with misery, Oliver keeps his end of the deal and asks for more. Oliver is ejected from the workhouse by his 'kind' benefactors, taking up service as an undertaker's apprentice. Oliver resolves to run away after further cruel treatment, finding himself on the long and hard road to London. Oliver considers himself fluky to meet a stranger along the way, Jack Dawkins, who offers him food and a place to stay in London. Jack informs Oliver that he is better known as 'the Artful Dodger', a protégé of an elderly, Jewish gentleman known as Fagin. Oliver falls foul of the law when accompanying two of his new colleagues while they relieve a respectable, old gentleman of his handkerchief, realizing with horror that he has naively fallen in with a gang of pick-pockets. Deserted at high speed by the real culprits, then captured and assumed to be the thief, he is brought before the magistrate. The victim of the theft, a Mr. Brownlow, takes pity on Oliver and is not altogether sure that Oliver took his handkerchief in the first place. Unwilling to press charges, Mr. Brownlow eventually persuades the magistrate to release Oliver. The night spent in the cell and the trauma of the hearing prove too much for Oliver's frail constitution and he takes a fever. Oliver wakes up many days later to find himself in a comfortable bed, in the very comfortable residence of Mr. Brownlow at Penton Ville. Oliver's situation is clearly much improved, but the old Jew, Fagin, worried about information regarding the nature and whereabouts of his operation being relayed to the police, plots to steal Oliver away from his new home.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Album cover

Egito

Três fragmentos iniciais de "Janela dos Caos"
Murilo Mendes

1

Tudo se passa
Num Egito de corredores aéreos,
Numa galeria sem lâmpadas
À espera de que Alguém
Desfira o violoncelo
- Ou teu coração?
Azul de guerra.


2

Telefonam embrulhos,
Telefonam lamentos,
Inúteis encontros,
Bocejos e remorsos.

Ah! Quem telefonaria o consolo,
O puro orvalho
E a carruagem de cristal.


3

Tu não carregaste pianos
Nem carregaste pedras,
Mas tua alma subsiste
- Ninguém se recorda
E as praias antecedentes ouviram -
O canto dos carregadores de pianos,
O canto dos carregadores de pedras.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sou muito fácil



Apaixono-me com facilidade quando encontro pinturas que me atraem como estas. Ainda para mais quando vislumbro influências de Klimt.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Living

"Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente feliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Resiliência

Esta foi a palavra de ordem do começo deste ano letivo (sim, estou a tentar escrever segundo a nova terminologia!). Certo. Resiliência, aparentemente, faz sentido nos dias que correm. Há falta de dinheiro. Resiliência. Compra-se com o pouco que temos, ou não o fazemos e ponto final. Sem dramas. Não há material suficiente para prosseguirmos o nosso trabalho. Resiliência. Inventa-se qualquer coisa para suprir a sua inexistência. Há mais divórcios e relações "complicadas". Resiliência. Aguenta-se, finge-se, trai-se ou desliga-se o "botão" e parte-se para outra. O computador do trabalho não funciona. Resiliência. Escreve-se como antigamente à mão. Não conseguimos aceder à internet. Resiliência. Bate-se com o pé no pc até dar alguma coisa. O carro avaria. Resiliência. Vai-se de meios de transporte, não importa se tiverem que ser 1, 2 ou 3, para chegarmos ao local de labuta. Os familiares, amigos e conhecidos fazem anos. Resiliência. Criam-se as prendas em casa com muita imaginação. Estamos cansados. Resiliência. Fazem-se férias cá dentro, de preferência em casa, entre portas, indoor. O tabaco aumentou desmesuradamente. Resiliência. Compra-se tabaco de enrolar e parece que andamos todos na ganza. Está um filme a estrear fabuloso, mas só está no centro comercial e vamos ter que encher o depósito de gasolina. Resiliência. Pesquisa-se na carteira os cartões do Benfica, da Zon, do BPI, da Fnac, para ver os descontos que conseguimos. Precisamos de uma fatiota nova para uma festa. Resiliência. Pede-se emprestada a alguém, será "nova" de certeza. Em suma:
A resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. Fonte: Wikipédia.
PDR!!!!

Mais um "achado" fotográfico...



 A fotografia estava acompanhada do seguinte resumo do autor:

Os Jardins Suspensos da Babilônia foram uma das sete maravilhas do mundo antigo. É talvez uma das maravilhas relatadas sobre que menos se sabe. Muito se especula sobre suas possíveis formas e dimensões, mas nenhuma descrição detalhada ou vestígio arqueológico foi encontrada, exceto um poço fora do comum que parece ter sido usado para bombear água. Seis montes de terra artificiais, com terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura, construídos pelo rei Nabucodonosor, para agradar e consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra. Chegava-se a eles por uma escada de mármore. Também chamados de Jardins Suspensos de Semiramis, foram construídos no século VI a.C., no sul da Mesopotâmia, na Babilônia. Os terraços foram construídos um em cima do outro e eram irrigados pela água bombeada do rio Eufrates. Nesses terraços estavam plantadas árvores e flores tropicais e alamedas de altas palmeiras. Dos jardins podia-se ver as belezas da cidade abaixo. Não se sabe quando foram destruídos. Suspeita-se que sua destruição tenha ocorrido na mesma época da destruição do palácio de Nabucodonosor, pois há boatos de que os jardins foram construídos sobre seu palácio.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Jardins_Suspensos_da_Babil%C3%B3nia)
Como não temos muitos detalhes sobre esta maravilha resolvi montar os jardins suspensos da Babilônia em uma versão futurista....
Espero que gostem!...Abraço a todos os amigos e amigas...

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sei, mas não.

Estou enferrujada, tanto na escrita, como no cérebro. Tenho saudades tuas e minhas. Queria abraçar os tempos d'outrora como d'agora, envolvê-los numa redoma, embalá-los e deixá-los hibernar no limbo. Cruzes no caminho entrelaçam-se, tal polvo repleto de tentáculos e braços sem fim. Conduzir no meio destas intempéries  não é tarefa fácil. Porém, todavia, contudo, tudo se faz e consegue. Como? Não sei, mas sim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

SMS para ti...

“Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma os homens em grandes cobardes.” Abraham Lincoln

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Eternal Bob M.


You may not be her first, her last, or her only. She loved before she may love again. But if she loves you now, what else matters? She's not perfect - you aren't either, and the two of you may never be perfect together but if she can make you laugh, cause you to think twice, and admit to being human and making mistakes, hold onto her and give her the most you can. She may not be thinking about you every second of the day, but she will give you a part of her that she knows you can break - her heart. So don't hurt her, don't change her, don't analyze and don't expect more than she can give. Smile when she makes you happy, let her know when she makes you mad, and miss her when she's not there.”

Just amazing...

Antioxidant Found in Red Wine May Counter the Negative Effects of Inactivity

If you're unable to exercise for a short time due to injury or some other reason, a glass of red wine might be good for you, a new study suggests. Resveratrol, an antioxidant found in most red wine, has been associated with less muscle and strength loss during inactivity.

Before you go open that bottle of cabernet and settle down on the couch, a few caveats: the study describes experiments done on rats, which may not translate exactly to humans; there's no substitute for exercise; and we still don't know the safe and effective daily doses of resveratrol.

That said, the study did find resveratrol that counteracted detrimental effects of inactivity on the body. The study compared two groups of rats in a simulated weightless environment, akin to spaceflight for astronauts. The suspended control group suffered reduced muscle mass, strength and bone density and also didn't develop insulin resistance while the group fed resveratrol daily were protected from those ill effects.

Some see the study results as a possible reason for NASA to reconsider its "no alcohol in space" policy, while others suggest drinking red wine may be good for people with sedentary lifestyles (" exercise in a bottle?"). That's probably taking it too far, but if for some reason there are barriers to physical activity for you, a glass of red wine (or, probably more effectively, resveratrol supplements) may help.

in lifehacker MELANIE PINOLA

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

...sail away

“Twenty years from now you will be more disappointed by the things you didn’t do than by the ones you did do. So throw off the bowlines, sail away from the safe harbor. Catch the trade winds in your sails. Explore. Dream. Discover.”

Muito ZENdiário

Os jovens de hoje

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Korn (Featuring Skrillex) - Get Up! Lyric Video

Love lives beyond the tomb, John Clare (1793-1864)


El amor vive más allá de la tumba,
De la tierra que se desvanece como una sombra.
Yo amo en los abismos,
Pues el fiel y verdadero amor
Yace en un sueño eterno;
La felicidad de las suaves noches
Llora en la víspera del rocío,
Donde el amor jamás es reproche.
Lo he visto en las flores,
Y en la ansiosa gota de lluvia
Sobre la tierra de verdes horas,
Y en el cielo con su inmortal azul.

Lo he oído en la primavera,
Cuando la luz certera,
Cálida y amable,
Flota sobre las alas del ángel,
Trayendo amor y música en el aire.
¿Y dónde está la voz,
Tan joven, tan hermosa, tan radiante,
Que envuelve el encuentro de los amantes?
El amor vive más allá de la tumba,
De la tierra, las flores y la sombra,
Yo amo sus torturas,
Sus jóvenes y fieles tersuras.

...às vezes tenho ideias infelizes...


Às vezes tenho idéias felizes, 
Idéias subitamente felizes, em idéias 
E nas palavras em que naturalmente se despegam... 

Depois de escrever, leio... 
Por que escrevi isto? 
Onde fui buscar isto? 
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu... 
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta 
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, 4 de setembro de 2011

Sonho vs Realidade


‎"In dreams you don't need to make any distinctions between things. Not at all. Boundaries don't exist. So in dreams there are hardly ever collisions. Even if there are, they don't hurt. Reality is different. Reality bites. Reality, reality." 
— Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart
                                                                                                                                                                

The Blair Witch Project_Pessoa N Beat

«Nunca Me Tinha Apaixonado Verdadeiramente»

Escrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventre sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim. 

Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras. 

José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Mirror, Mirror, Bloody Fibber


Um abraço de Terra e Mar-Do outro lado do espelho_F.Luis


Mirror, mirror, on the wall, 
Can't you show me tall and slim? 
Mirror, mirror, on the wall, 
Must I look so bloody grim? 

Mirror, mirror, on the wall, 
You're distorting my poor waist! 
Mirror, mirror, on the wall, 
And why the heck am I defaced? 

Mirror, mirror, on the wall, 
Why have I a double chin? 
Mirror, mirror, on the wall, 
And what's the stupid, goofy grin? 

Mirror, mirror, on the wall, 
Pointless asking ‘Who’s the fairest? – 
More bloody likely, 'Who’s the queerest? ’
Now look, I paid a big bucks for thee, 
So why can’t you be nice to me? 

Mirror, mirror, on the wall, 
Who’s the fairest of them all? 
Me, you say? Ah, that's better – 
Mirror, mirror, bloody fibber! 

Copyright © Mark R Slaughter 2009

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vuelvo al sur

Correr???


«Temos tanta pressa de fazer algo, escrever, amontoar bens e deixar ouvir a nossa voz no silêncio enganador da eternidade que esquecemos a única coisa em relação à qual as outras não são mais do que meras partes: viver» 
- Robert-Louis Stevenson - 

«Quero escrever minha vida em teu corpo»


Gostava de morar na tua pele
desintegrar-me em ti e reintegrar-me
não este exílio escrito no papel
por não poder ser carne em tua carne.

Gostava de fazer o que tu queres
ser alma em tua alma em um só corpo
não o perto e o distante entre dois seres
não este haver sempre um e sempre o outro.

Um corpo noutro corpo e ao fim nenhum
tu és eu e eu sou tu e ambos ninguém
seremos sempre dois sendo só um.

Por isso esta ferida que faz bem
este prazer que dói como outro algum
e este estar-se tão dentro e sempre aquém.

MANUEL ALEGRE, in SETE SONETOS E UM QUARTO (Dom Quixote, 2005)


Last Tango In Paris (La Revancha Del tango Live)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Shall I compare thee to a summer's day?

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate;
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

«UMA VOZ NA PEDRA»

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

ANTÓNIO RAMOS ROSA, in FACILIDADE DO AR (Caminho, 1990)
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